Já escutei essa frase algumas vezes na clínica de “adolescentes” (porque alguns já tinham 20 anos ou mais) referindo-se ao não saber frente ao que os pais esperavam deles. Estavam falando sobre faculdade, emprego, etc.
Tenho a impressão de que nas gerações anteriores esse desejo ficava claro e dito: você vai ser médico, vai seguir nos negócios da família, vai casar com fulana. Óbvio que isso tinha suas consequências, mas graças a essas falas era possível se rebelar e dizer “Não vou, deixa eu descobrir o que eu quero e seguir o meu caminho”. O que esses adolescentes estão dizendo hoje é “O que os meus pais desejam pra mim? Digam! Nem que seja para que eu haja contra.” Esse não dito sobre o desejo dos pais me parece trazer muito mais consequências do que o desejo explícito das gerações anteriores.
Não quero entrar no mérito aqui, do por que os pais estão agindo assim, apenas exemplificar: não gostei do que meus pais fizeram comigo; o mundo hoje tem muitas escolhas; quero criar meu filho livre; etc.
Esse post é apenas pra gente pensar que o não dito também traz consequências. Como não lembrar de Che vuoi? (Que queres?) expressão utilizada por Lacan para dizer sobre o particular do desejo diante do universal da lei.
Eu não sei o que eles querem de mim
á escutei essa frase algumas vezes na clínica de “adolescentes” (porque alguns já tinham 20 anos ou mais) referindo-se ao não saber frente ao que os pais esperavam deles. Estavam falando sobre faculdade, emprego, etc.
Tayara B. Tomio
Publicado em 10/06/2020
Vamos participar dos Grupos de Estudos?
A ideia é oferecer um espaço de troca e produção de saber para iniciantes na prática clínica psicanalítica.CONHEÇA OS GRUPOS DE ESTUDOS
VER GRUPOS DISPONÍVEISVeja mais
Sobre a montagem perversa
Em 1963, Hannah Arendt publicou a obra Eichmann em Jerusalém: um relato sobre a banalidade do mal. O que ela pretendia que fosse uma mera exposição do julgamento do nazista Adolf K. Eichmann em Jerusalém, converteu-se em uma imensa controvérsia política e moral, a qual acabou por definir a produção filosófica da autora até sua morte, em 1975.
Sobre as promessas para o ano novo
Por que nos apegamos a resoluções de ano novo? Qual a diferença entre estabelecer uma meta no dia 01 ou no dia 12? Todo início de ano novo prometemos as mais diversas tarefas: melhorar alimentação, estudar mais, fazer exercício, ser mais isso ou aquilo.