Em 1963, Hannah Arendt publicou a obra Eichmann em Jerusalém: um relato sobre a banalidade do mal. O que ela pretendia que fosse uma mera exposição do julgamento do nazista Adolf K. Eichmann em Jerusalém, converteu-se em uma imensa controvérsia política e moral, a qual acabou por definir a produção filosófica da autora até sua morte, em 1975. As reflexões de Hannah Arendt sobre a banalidade do mal, a capacidade de julgar e a responsabilidade pessoal forneceram uma decisiva contribuição para pensar a relação entre ética e política na contemporaneidade.
A autora não acreditava que Eichmann era um grande sádico, que encontrasse uma forma específica de gozo na idéia de que estava produzindo instrumentos para matar. Muito pelo contrário, ele era um ótimo funcionário, metódico, organizado, constituiu uma família e havia sido um aluno mediano. Quando ele defende a idéia de que o que aconteceu foi um mero acidente - “(...) ele ter feito o que fez e não outra pessoa, uma vez que, no fim das contas, alguém tinha de fazer aquilo.” (ARENDT, 2013), está falando num certo sentido a verdade, mas evidentemente não toda a verdade.
O que devemos acrescentar ao discurso de Eichmann é o seguinte: o triunfo da guerra (da técnica) só ocorre na medida em que os sujeitos funcionem como parte integrante dessa técnica, ou seja, funcionem como instrumentos. Em outras palavras, onde se fala de efeito da técnica, poderíamos falar da paixão humana em sair do sofrimento neurótico banal alienando a própria subjetividade, reduzindo a própria subjetividade a uma instrumentalidade (CALLIGARIS, 1991).
Para Calligaris “a grande maioria das pessoas que entra num sistema totalitário é tomada em uma montagem perversa” (1986). O autor afirma que a formação perversa é o núcleo da nossa vida social e que o neurótico sonha em ser perverso porque a posição neurótica é muito insatisfatória, e ele (o neurótico) está pronto a aceitar quase tudo para aderir à montagem perversa, para chegar a uma modalidade mais tranquila de gozo.
Sobre a montagem perversa
Em 1963, Hannah Arendt publicou a obra Eichmann em Jerusalém: um relato sobre a banalidade do mal. O que ela pretendia que fosse uma mera exposição do julgamento do nazista Adolf K. Eichmann em Jerusalém, converteu-se em uma imensa controvérsia política e moral, a qual acabou por definir a produção filosófica da autora até sua morte, em 1975.
Tayara B. Tomio
Publicado em 26/07/2021
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Sobre saber não saber
Quando pensamos em psicanálise uma das coisas que vem a cabeça é sobre o não saber. Aqui eu sempre associo com algumas coisas: sujeito suposto saber, sobre lidar com o não todo saber e principalmente que é preciso saber não saber.
Sobre o nosso aprendizado
Por esses dias estava lendo um texto para um grupo de estudo que participo. Estamos discutindo a constituição psíquica e o texto era sobre real, simbólico e imaginário. Esse material é resultado de um seminário que aconteceu em minha cidade há mais de um ano e do qual eu participei. Foram quatro dias de muito aprendizado, mas também recordo que conforme o palestrante avançava, para mim, ficava difícil acompanhar.